A Barraca da Carbonária

A Maçonaria Florestal:História, Informação e Debate.

12.5.06

5 de OUTUBRO de 1910




“A revolução do 5 de Outubro teve a enquadrá-la maçons e foi essencialmente executada pela Carbonária –já que não cabe em geral à Maçonaria, como intituição, o executivo de movimentos revolucionários.
Ora a Carbonária apresentava características genuinamente populares. Nela se filiaram dezenas de milhar de pessoas, de todas as classes, desde camponenses e operários até bibliotecários e intelectuais, passando por soldados e marinheiros. Enquanto a Maçonaria era mais elitista, pela dificuldade de comprensão do seu ideal e do seu rito, e pelas provas e exigências morais que prescrevia, a Carbonária servia por assim dizer para todos e a todos acolhia, desde que lhes encontrasse ânimo e crença republicana. É claro que o carbonário do 5 de Outubro – e nele está espelhada a grande massa da população portuguesa de então – era pouco instruído e pouco evoluído politicamente. Seguia com devoção os seus chefes, idolatrava-os, papagueava os seus slogans, dizia e repetia palavras que não entendia. Para ele, como aliás para muito rpublicano já mais instruído, a República era o Messias, era o milagre. Bastaria a sua proclamação para libertar o País de toda a injustiça e de todos os males. Era uma nova religião. Muitos interpretavam, errónea e abusivamente, as promessas feitas pelos dirigentes republicanos durante a fase da propaganda, supondo que poucos meses ou até dias depois de proclamado o novo regime estariam resolvidos todos os problemas económicos, sociais e políticos: os pobres seriam ricos, os empregados, patrões, os subalternos, dirigentes.
Para esses, infelizmnte a grande massa, República foi sinónimo de desilusão. Deles iria sair boa matéria prima para futuras querelas e revoluções intestinas, para aventuras demagógicas do pior estofo, para o derrubar final do regime que haviam ajudado a implantar e m quem tinham perdido a fé.”


(A.H.Oliveira Marques, Ensaios de História da I República Portuguesa, Lisboa, Livros Horizonte, 1988, p.36.)

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