A Barraca da Carbonária

A Maçonaria Florestal:História, Informação e Debate.

15.5.06

CARBONÁRIA




Uma aproximação à Carbonária, para compreender as suas origens, organização, funcionamento e objectivos, supõe um distanciamento necessário. É que há, de certo modo, um “espírito do tempo” e o século XIX, com os primeiros anos do século XX, trazem-nos, ainda, um fulgor romântico. Não é sem um sentimento de ternura que olhamos hoje para os milhares de “Bons Primos” que , em Portugal, na França, na Itália, na Espanha ou na América Latina, lutaram pela causa da Liberdade. Sejamos simples e tentemos olhar para a época com o distanciamento e, ao mesmo tempo, com o rigor necessários.

Chegada a Portugal no século XIX, no centro do calor liberal, a Carbonária mantém a auréola romântica que tocou milhares de “rachadores”, “carvoeiros” e “mestres”, organizados, secretamente, em “canteiros”, “choças”, “barracas” e “vendas”. Dos “jardineiros” de Coimbra, à “Carbonária Lusitana” e à “Carbonária Portuguesa”.

Depois, há o Ultimato inglês, de 1890, e tudo vai começar a mudar rapidamente, num estado monárquico distanciado do Povo.
Mas é a partir de 1896, com um homem a quem a República tanto deve, chamado Artur Luz de Almeida, bibliotecário, e à ‘sua’ Maçonaria Académica, depressa transformada em “Carbonária Portuguesa” , com a sua “Venda Jovem Portugal”, que tudo vai mesmo mudar. A organização funciona. Lisboa, sobretudo, etá desperta.
A ditadura de João Franco vai ser a alavanca da máxima revolta e, a partir de 1907, a Carbonária dobra e passa a ter milhares de “bons primos” armados e secretamente organizados. Mas não são uns homens quaisquer. Foram “iniciados” nas casas e nos lugares mais estranhos, vestiram balandraus e capuzes, enfarruscaram a cara com carvão, saudaram o Grande Arquitecto e o patrono São Teobaldo, juraram lutar contra a ignorância e dar a vida pela Liberdade do Povo. Não é por acaso que a iniciação , na Carbonária Portuguesa, se iniciava com a frase do presidente: “É um escravo dos inimigos do Povo todo aquele que não pertence à Carbonária.”

Deles falaremos: dos milhares de homens esquecidos e dos seus organizadores que, na senda de Mazzini, Garibaldi e Cavour, dos “communards” de Paris ou dos anarquistas de Bakunine, souberam ter a coragem suficiente para porem mais um pauzinho na engrenagem, a favor da ‘Liberdade’: Luz de Almeida, Cândido dos Reis, Machado Santos, José Carlos da Maia, José Afonso Palla, João Chagas, Francisco Grandella, António José de Almeida, Heliodoro Salgado, Aquilino Ribeiro, António Granjo, Sebastião Magalhães Lima e muitos outros.

E fixemos o “compromisso”, no ritual de iniciação:
“Juro pela minha honra de cidadão livre guardar absoluto segredo dos fins e existência desta sociedade, derramar o meu sangue pela regenaração da Pátria, obedecer aos meus superiores e que os machados dos rachadores de cada canteiro se ergam contra mim se faltar a este solene juramento.”
Ou este, logo após a implantação da República:
“Comprometo-me, de minha livre e espontânea vontade, pela minha honra de homem de bem, a guardar o mais sagrado e absoluto segredo, a obedecer às Ordens Superiores da Associação, a proteger nos limites do possível os companheiros e a defender com a minha vida a Pátria, a República e a Carbonária.”

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