A Barraca da Carbonária

A Maçonaria Florestal:História, Informação e Debate.

23.12.06

MAIS HISTÓRIA

CARBONÁRIA



“Sociedade secreta de carácter político-religioso, que exerceu a sua principal actividade desde o fim do sec XVIII a meados do sec. XIX, particularmente em Itália e França. Não se sabe ao certo se nasceu em Itália ou em França. Naquele país os seus membros chamavam-se carbonari (carvoeiros) e, em França, fendeurs (lenhadores) e, nas suas comunicações, usavam de expressões próprias daqueles ofícios. Ao lugar das reuniões chamavam barraca; ao seu interior, choça e aos seus arredores bosque. Tratavam-se por bons primos. A sua acção foi sempre de combate à Igreja católica e, no entanto, os seus filiados veneravam S. Teobaldo, conde de Champagne, morto em 1066, a quem consagraram como seu patrono. Tinha muita analogia com a Maçonaria e, como esta, propunha-se realizar os mais nobres e elevados ideais da Humanidade. Tal como os mações, os carbonários reuniam-se em assembleias e banquetes e usavam uma linguagem convencional. A sua acção consistia em limpar o bosque dos lobos, ou seja destruir os tiranos. Dividiam-se em duas classes: aprendizes e mestres, e havia ritos especiais para a iniciação, que era rigorosíssima. A hierarquia carbonária elevava-se das choças ou barracas para as vendas, que eram as orientadoras daquelas e nomeavam delegados ao conselho supremo, denominado alta-venda, à qual presidia um grã-mestre, escolhido pelos referidos delegados, ou deputados. Havia também barracas de mulheres, que se chamavam jardins, tendo elas o nome de jardineiras. Tinham os carbonários insígnias e sinais secretos e o selo da organização era ornado com a deusa da Liberdade, tendo um dragão aos pés e a legenda Aniquilador do despotismo. Foram organizações carbonárias a Sociedade dos Carvoeiros fundada em Paris em 1821, de carácter revolucionário, e a Sociedade dos Caçadores, do Canadá (1837 e 1838), de tendência anti-inglesa, que alcançou enorme número de filiados chegando a ter núcleos filiais em França. Durante a Restauração, em França, a carbonária teve importância enorme, contando 40 000 filiados sob a presidência de La Fayette. A ela se devem as insurreições de Belfort (1-1-1822), de La Rochelle e Saumur, todas juguladas. Depois da luta contra as ordenanças de Julho de 1830, a Carbonária francesa dissolveu-se. Em Espanha e na Alemanha, também a carbonária teve ramificações importantes. Na Itália, a carbonária lutou contra a invasão francesa e em 1820 contava 600.000 filiados, entre os quais havia muitos altos funcionários e eclesiásticos. Bateram-se contra o Estado Pontifício, a Áustria e seus aliados. O futuro Napoleão III pertenceu à choça de Roma. Em 1821, a associação de Mazzini, “Jovem Itália” absorveu a Carbonária. Em Portugal, em seguida à guerra civil // 868 de 1844, em que o partido progressista foi vencido, organizou-se, pela primeira vez, a Carbonária. Foi o general Joaquim Pereira Marinho quem, em Março de 1848, conseguiu obter de França autorização para poder estabelecer entre nós essa sociedade. Delegou os poderes que lhe haviam conferido no padre António de Jesus Maria da Costa, Ganganelli, que, em 29 de Maio do mesmo ano, instalou em Coimbra, numa casa da rua da Ilha, a Carbonária Lusitana. Procedeu-se, nesse mesmo dia, a eleições, ficando o padre Costa cpomo Supremo Conselheiro da Alta-Venda. Em 1 de Junho seguinte, foram eleitas as comissões encarregadas de regularizar os trabalhos da choça-mãe, ou alta-venda, com as choças filiais. Em Outubro, novas eleições se fizeram em Coselhas, sendo eleito Supremo Conselheiro o dr. Francisco Fernandes da Costa. O padre, despeitado, por ter sido o instalador e assim o alijarem, guardou o livro de matrícula e mais documentos, recusando-se obstinadamente a entregá-los, pelo que foi irradiado. Havia então en Coimbra as barracas Igualdade e União e as choças Fraternidade e Liberdade, que se reuniam numas casas do correio velho, na rua das Fangas, e ainda a 16 de Maio, mais tarde denominada Segredo, que estava instalada numa casa perto do Arco do Colégio. Teve a Carbonária Lusitana barracas e choças noutros pontos, como Figueira da Foz, Soure, Anadia, Cantanhede, Pombal, Ílhavo e Braga. Outras localidades se preparavam para organizar os seus núcleos, mas, em 1850, esta Carbonária dissolveu-se, embora só no distrito de Coimbra tivesse mais de quinhentos filiados, quase todos armados, pois uma das condições para ser iniciado era a de possuir ocultamente uma arma e os competentes cartuchos. Em 1853, o pare Costa pretendeu reorganizar a Carbonária em Coimbra, ainda se constituiu uma choça, com o nome de Kossuth, mas esta tentativa não conseguiu ir por diante. Mais tarde, no ano de 1862, também em Coimbra, novamente se constituiu a Carbonária, estando à sua frente Abílio Roque de Sá Barreto, tendo a alta-venda reunido, pela primeira vez, em 15 de Abril. Não logrou mais do que uns poucos meses de existência, apesar de ter choças e barracas em vários pontos, nomeadamente em Cantanhede e Soure. Em 1864, novo esforço se fez para reorganizar a carbonária, sob a presidência de Abílio Roque de Sá Barreto , mas esta tentativa falhou por completo e até 1907 ninguém mais meteu ombros, em Portugal, à constituição dessa sociedade secreta.Artur Augusto Duarte da Luz Almeida foi quem organizou a Carbonária Portuguesa, que nada tinha de comum com a já citada Carbonária Lusitana. Teve como auxiliares preciosos o comissário naval Machado Santos e o eng. António Maria da Silva; a Carbonária Portuguesa teve a suas primeiras reuniões no sótão da casa onde morava Luz de Almeida, na rua de Santo António da Glória, em Lisboa, onde se fizeram muitas iniciações e se deram lições de manejo de armas. Foi Luz de Almeida eu , em meados de 1907, elaborou a sua constituição e regulamentos geral e ultra-secreto, este apenas transmitido verbalmente aos filiados, que tinham o dever de o decorar. Havia quatro graus: Rachador, Cavador, Mestre e Mestre-Sublime; oas Carbonários chamavam-se Bons Primos e tratavam-se por tu, sendo obrigados a possuir uma arma de fogo e um punhal. Grão-Mestre foi Luz de Almeida e havia um corpo superior, intitulado Venda Jovem Portugal, que se compunha de um número limitado de Bons Primos decorados com o grau de Mestre Sublime. Esta venda tinha as atribuições de velar pela observância do ritual, nomear os juízes do Tribunal Secreto e constituir-se em Alto Tribunal, quando fosse necessário; escolher os inspectores e os delegados provinciais e as altas vendas (efectiva e substituta), eleger o grão-mestre e o grão-mestre adjunto. Todas as ordens da alta venda deviam ser cumpridas sem discussão. As secções da Carbonária Portuguesa eram representadas por estrelas de diversas grandezas e o conjunto de todas elas constituía o Grande Firmamento, onde se destacava uma estrela de cinco pontas, encimada pelo globo terrestre. Foram carbonários que fundaram o célebre grémio maçónico Montanha, introduzindo assim a Carbonária no Grande Oriente Lusitano. Paralela à carbonária e agindo sob orientação desta, foi necessário fundar outra associação secreta, A Coruja, a fim de agrupar muitos elementos republicanos que não queriam submeter-se às rigorosas fórmulas carbonárias. À frente dela estava José Maria de Sousa, António José dos Santos, Coelho Bastos e Henrique Cordeiro, os quais, depois de recrutarem numerosos adeptos, a dissolveram, integrando estes na Carbonária, o que era, afinal, o fim que se propunham. Desde o início até à proclamação da República, a Carbonária Portuguesa teve seis altas vendas, sendo a existente em 5 de Outubro de 1910composta por Luz de Almeida, Machado santos, António Maria da Silva, Henrique Cordeiro, António dos Santos Fonseca e Franklim Lamas. A acção desta associação secreta fez-se sentir de Norte a Sul do país, e dela faziam parte militares e civis de todas as categorias, tendo sido ela que organizou a revolução que implantou a República em Portugal. Depois de proclamado o novo regime, ainda se manteve enquanto houve movimentos monarquistas, até que com a luta dos partidos políticos, que deu a divisão do antigo Partido Republicano, ela se dividiu igualmente e se dissolveu, sem voltar a ser possível, apesar de inúmeras tentativas feitas, reconstituí-la.

(in Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Lisboa e Rio de Janeiro, Editorial Enciclopédia, V. 5, pp. 867-868)

8 Comments:

At 11:12 da manhã, Anonymous Anónimo said...

La masonería.....¿anti española?

 
At 4:20 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Continue com estes postes, são muito interesantes!

 
At 7:43 da tarde, Anonymous Muad'Dib said...

Onde encontro a Carbonaria no Brasil?

 
At 11:05 da tarde, Blogger atendimento said...

Muad´dib:
Salute e Fratellanza!
chanceller@carbonaria.org Este é o endereço da Carbonária no Brasil.
TAF,
B.´.Pr.´. Chanceller

 
At 5:43 da manhã, Anonymous Anónimo said...

s.'.s.'.s.'.

Saudações Saptientiissimo Grão-Mestre.

Venho humildemente bater a porta do templo,para pedir o ingresso nesta loja e iniciação ou regularização.
Meu nome:aldo pires macario
e-mail:aldo-macario@ig.com.br
Deixo um triplice fraternal abraço.'.

 
At 4:53 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Ola, sou aluno do curso cineica da religião, e estou estudando as sociedades. Gostaria de receber algum material contando a historia desta magnifica sociedade.

Meu e-mail é : macoutinho@pop.com.br

 
At 4:55 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Descuple o erro grosseiro no ultimo comentario. O curso e´Ciencias da Religião, da universidade de São José-SC

macoutinho@pop.com.br

 
At 5:03 da manhã, Anonymous Senyum Menambah Kesehatan said...

Yamaha R15 dan Yamaha R25 Motor Sport Racing dan Kencang

 

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